Gustavo Galvão

O tempo que passa

Prednisone Generic Buy Lipitor Online Cialis Soft Tabs Without Prescription Erythromycin No Prescription Seroquel For Sale Aldactone Generic Buy Coumadin Online Prozac Without Prescription Elimite No Prescription Avapro For Sale

happy_together_1.jpg

FELIZES JUNTOS
Hong Kong, 1997, 98 min.
Diretor: Wong Kar-wai
Direção de fotografia: Christopher Doyle
Montagem: William Chang, Ming Lam Wong
Com Tony Leung Chiu-wai, Leslie Cheung

Então uma colônia britânica, Hong Kong estava a ponto de ser devolvida à China quando Wong Kar-wai filmou Felizes Juntos. Foi em 1996. O diretor, assim como tantos outros que temiam o futuro à sombra do regime comunista, já se sentia um estrangeiro na própria terra. Porém, do desejo de fazer algo urgentemente, nasceu uma obra visceral, que permitiu a uma geração repensar conceitos como liberdade individual e pátria.

Os personagens principais estão sempre em deslocamento por uma terra estranha. São dois chineses de Hong Kong, recém-emigrados para a Argentina. Inicialmente, vivem numa pensão de Buenos Aires, onde acontecem as cenas mais duras de um relacionamento conturbado entre Lai Yu-fai e Ho Po-wing. Relacionamento marcado pelo auto-exílio e por tudo que isso implica. De um lado, vibra a angústia de não pertencer ao lugar onde transcorre a ação; de outro, existe a consciência de que a distância pode ser um instrumento de renovação – espiritual e sentimental.

Em menos de cinco minutos, com planos altamente estilizados em que predominam o desequilíbrio e a inquietação, Kar-wai revela o ocaso de uma paixão. Perdidos numa estrada no meio dos pampas, os amantes brigam. Não conseguem se localizar no mapa e sentem dificuldades para encontrar o sentimento que um dia os uniu. Para que isso possa acontecer, eles precisariam se liberar de inúmeras amarras. Talvez isso não possa acontecer, afinal.

A despeito da emblemática introdução, há poucas cenas em estradas. Em vez disso, os protagonistas se movem pelas ruas sombrias de uma Buenos Aires que os guias turísticos não mostram. O que mais aproxima o filme de um road movie típico é o modo com o qual o cineasta lida com a relação tempo-espaço. A passagem do tempo chega a ser palpável de tão vinculada que está à metamorfose de Lai Yu-fai e do entorno. A viagem cidade adentro serve para que o personagem descubra, aos poucos, a si mesmo. Não é de estranhar que a percepção do tempo seja algo tão doloroso para ele.

* O texto acima é o primeiro de uma série sobre filmes de estrada, uma reflexão sobre o gênero feita na carona de UMA DOSE VIOLENTA DE QUALQUER COISA – projeto de longa-metragem de Gustavo Galvão, em fase de captação de recursos. Os próximos textos serão publicados aqui, ao longo de 2009 e 2010.

Leave a Reply